Menarca: o que precisamos saber sobre a primeira menstruação

Para Ellen Vieira, obstetriz que atua no Coletivo Feminista, o jeito como vivemos e falamos sobre esse acontecimento pode influenciar muito a relação que a pessoa terá com o próprio corpo e com sua saúde sexual.

“A primeira menstruação muitas vezes é estereotipada, como se fosse um ponto de partida para a vida adulta. O famoso ‘virou mocinha’. Mas não é bem assim”, explica Ellen. “Mesmo após menstruar, a pessoa está em transição — ainda vive parte de sua rotina e interesses de criança, mas já apresenta mudanças e curiosidades próprias da adolescência.”

Nessa fase, o corpo passa por transformações: crescimento das mamas, novos odores, aparecimento de pelos, mudanças na vulva. E é comum que famílias ou responsáveis não se sintam preparados para falar sobre tudo isso.

Diante do desafio de dialogar sobre esse momento, alguns responsáveis optam por marcar uma consulta médica. “Essa consulta precisa ser um espaço seguro, de conversa, onde a criança ou adolescente possa compreender o que está acontecendo com seu corpo, aprender a cuidar de si e tirar dúvidas sobre menstruação, sexualidade, masturbação e autoconhecimento”, reforça Ellen.

O cuidado, segundo a obstetriz, não deve significar medicalizar um processo natural — como prescrever medicamentos, incluindo anticoncepcionais para “regular” um ciclo que ainda está em adaptação — nem antecipar exames que não são necessários para essa faixa etária, como o papanicolau.

Se a família optar por não marcar uma consulta logo após a primeira menstruação, o acompanhamento pode ser simples: observar o ciclo, anotar o primeiro e o último dia da menstruação, e seguir cuidando da saúde íntima, sem pressa e sem intervenções desnecessárias.

As obstetrizes, médicas de família e comunidade e ginecologistas que atuam no Coletivo Feminista estão prontas para acolher crianças, adolescentes e suas famílias nesse momento de tantas descobertas, seja nas consultas individuais ou em rodas de conversa e oficinas.

A menarca não precisa ser um momento de medo ou confusão. Ela pode ser vivida com informação e afeto.

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