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E já que o número ajudou, resolvemos aproveitar a ocasião para falar de prazer e exaltar o único órgão do corpo humano cuja função conhecida é o prazer sexual. Sim, estamos falando do clitóris!
Embora a inervação da glande peniana seja estudada há décadas, a glande do clitóris ainda é comparativamente pouco estudada.
Por isso, celebramos o trabalho de Ju Young Lee e sua equipe, que em 2026 realizaram uma reconstrução 3D em alta resolução do clitóris, revelando sua neuroanatomia com detalhes sem precedentes.
O novo mapa mostrou uma extensa rede de inervação na região clitoriana e pode contribuir para procedimentos mais seguros, como cirurgias de afirmação de gênero, reconstrução após mutilação genital e procedimentos estéticos.
Na assistência ao parto, esse conhecimento também reforça a importância de evitar intervenções perineais desnecessárias e de preservar a anatomia e a inervação da região no reparo de lacerações.
69 mil motivos para falar de prazer, sexualidade e conhecimento sobre nossos corpos. 💜
Por isso mesmo, a comunidade médica e científica pouco se interessa por ele.
O tabu cultural em torno da sexualidade de mulheres e demais pessoas com vulva dificulta sua investigação científica há séculos.
“Membro vergonhoso” – foi assim que o anatomista francês Charles Estienne se referiu ao clitóris em 1546.
Apesar de descrições detalhadas já existirem no século XIX, o clitóris foi frequentemente omitido ou representado de forma incompleta nos estudos e livros de anatomia.
Em 1998, Helen O’Connell e sua equipe mostraram as limitações dessas representações.
Esse apagamento contribuiu para invisibilizar o prazer e a sexualidade dos corpos com vulva e também deixou lacunas importantes no conhecimento médico.
Corpos com vulva também têm ereção
O trabalho de O’Connell ajudou a mostrar que o clitóris é muito maior e mais complexo do que a pequena porção externa que vemos e do que foi representado durante muito tempo nos livros de anatomia.
Grande parte de sua estrutura é interna e formada por tecido erétil. Durante a excitação sexual, os corpos cavernosos do clitóris e os bulbos vestibulares se enchem de sangue e aumentam de volume.
Assim como acontece com o pênis, corpos com vulva também têm ereção.
O trabalho de O’Connell ajudou a mostrar que o clitóris é muito maior e mais complexo do que a pequena porção externa que vemos e do que foi representado durante muito tempo nos livros de anatomia.
Grande parte de sua estrutura é interna e formada por tecido erétil. Durante a excitação sexual, os corpos cavernosos do clitóris e os bulbos vestibulares se enchem de sangue e aumentam de volume.
Assim como acontece com o pênis, corpos com vulva também têm ereção.
A pesquisadora Ju Young Lee e sua equipe produziram o primeiro mapeamento tridimensional em alta resolução da trajetória dos nervos da glande do clitóris.
Usando uma tecnologia de imagem com resolução micrométrica, o estudo revelou em detalhes como os nervos se ramificam dentro da glande, formando uma estrutura semelhante aos galhos de uma árvore em direção à sua superfície.
O trabalho ajuda a preencher uma importante lacuna no conhecimento sobre a neuroanatomia do clitóris — conhecimento fundamental também para evitar lesões nervosas em cirurgias e outros procedimentos na região da vulva.
Um detalhe que diz muito sobre essa história: a organização dos nervos da glande do pênis já havia sido descrita em detalhes em 1998.
O estudo sobre o clitóris foi publicado como preprint em 2026 e ainda não passou por revisão por pares.

A imagem demonstra a trajetória principal do nervo dorsal do clitóris, nervo sensorial primário do clitóris, um ramo do nervo pudendo, que inerva a região pélvica.
Amarelo: Nervo dorsal do clitóris :
Azul: rede venosa
Rosa: corpo esponjoso
Cinza: glande

Legenda: Nervo labial posterior que inerva a região circundante do clitóris. (A-B).
Laranja: trajetória do nervo labial posterior
Verde: corpo cavernoso
Azul: rede venosa
Roxo: corpo esponjoso
Lee e sua equipe mostraram que alguns ramos do nervo dorsal do clitóris chegam ao monte pubiano e ao capuz clitoriano.
Outros nervos se ramificam pelos lábios internos e externos, revelando uma extensa rede de inervação na região.
“A vulva, o clitóris e a vagina são, na realidade, mais bem compreendidos como a superfície de um oceano atravessado por redes vibrantes de raios submarinos, caminhos neurais intrincados e frágeis, com variações individuais.”
Naomi Wolf, Vagina: Uma Biografia
O novo mapa amplia a compreensão sobre a sexualidade ao revelar que a rede de inervação da região clitoriana se estende também para estruturas ao redor.
Esse conhecimento pode contribuir para procedimentos mais seguros, como cirurgias de afirmação de gênero, reconstrução após mutilação genital e procedimentos estéticos.
Na assistência ao parto, reforça a importância de evitar intervenções perineais desnecessárias e de preservar a anatomia e a inervação da região no reparo de lacerações.
